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segunda-feira, 30 de julho de 2018

O favorito do Lula é o Bolsonaro?

A Eleitoragem 2018 tem uma maldição antecipada: a onipresença do Presodentro Luiz Inácio Lula da Silva em todos os palanques. A desgraça acontecerá mesmo que Lula nem possa concorrer, porque é ficha-suja. Ou em função do eventual registro de sua candidatura por persistência criminosa e anti-democrática do Partido da Traição – vulgo PT. Lula não pode ser eleito, porém seu nome e apoio influenciarão o resultado – contra e a favor da esquerda perdidaça.

É Lula de novo... Ele é a forca do povo... Porque há algum tempo seu nome está diretamente relacionado à desgraça da corrupção... O líder máximo da seita Petelândia não poderia supor que, no Brasil da impunidade, fosse ficar tanto tempo preso, mesmo que com mordomias, na gélida República de Curitiba. Lula perdeu a aposta de que ficaria livre logo e seria o candidato favorito a vencer a sucessão temerária de 2018. Errou... Agora, será apenas um ilustre tumultuador do processo. Um legítimo zero à esquerda...

Lula não tem plano B. O PT promoverá a palhaçada de homologar a candidatura Lula. Fernando Haddad será o vice. A Petelândia promete até fazer jejum nacional por seu líder, na Convenção Nacional do próximo sábado, 4 de agosto. Depois, vão recolher alimentos para doar aos pobres da periferia, mentindo que “foi Lula quem mandou de entregar”... Como Lula sabe que será barrado lá na frente pela Lei da Ficha Limpa, Haddad já fica no banco de reservas, prontinho para entrar em campo e perder...   

O interessante é que tem gente no PT operando com um raciocínio suicida: fingir que morre agora, para renascer depois, na primeira oportunidade. Por tal “lógica”, os petistas deixariam Ciro Gomes perder agora, sem apoio. O PT lançaria uma chapa sem grandes alianças, faria alguns deputados e senadores que precisam de foro privilegiado e torceria por uma vitória de ninguém menos que Jair Bolsonaro.

Não... Sim... Lula não está tomando Samanaú... Pela lógica prisional, tem de estar em crise de abstinência... Privado da cachaça que adora e impedido de concorrer, a torcida natural de Lula é pela vitória do Jair Bolsonaro. Loucura? Nada disso... A aposta é puro cinismo pragmático. Alguns petistas apostam que uma vitória do “Mito” vai tumultuar o Brasil. A tendência projetada é que nenhum Presidente eleito – principalmente o Bolsonaro – consiga lidar com a megacrise e com a falta de governabilidade a partir de 2019.

Por ironia da História – não é sacanagem -, o candidato ideal de Lula não é o Haddad, mas sim o Bolsonaro. Em vez de ficarem pts da vida com Lula, torcedores do Jair deviam comemorar... Bolsonaro tem chance gigantesca – e única – de ser o próximo titular do Palácio do Planalto. Pode vencer até no primeiro turno. Lula e o PT já preparam a oposição mais canalha a partir da vitória anunciada. O triunfo do Bolsonaro é perfeito para o PT porque arrasa com Ciro e tritura os primos tucanos.

A sucessão maluca de 2018 promete ser muito divertida... Até dia 5, saberemos quem será o vice do Bolsonaro. Os cotados pelo PSL são: Luciano Bivar; a jornalista Joice Hasselmann; o empresário Paulo Marinho; o presidente do PSL de Minas, Alvaro Antonio; o astronauta Marcos Pontes; o general Fernando Azevedo e Silva; e o príncipe Luiz de Orléans e Bragança.
 
Flamenguistas, liderando o Brasileirão, não têm dúvida e indicam: vice ideal é o Vasco da Gama...    
 
Jorge Serrão - Alerta Total
http://www.alertatotal.net/
 
 

Carlos Fernando, Batman de Deltan, o Menino Prodígio, diz besteira sobre STF e investigação, mas tenta posar de moderado e critica Janot

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, uma das estrelas da Força Tarefa de Curitiba — uma espécie de Batman de Deltan Dallagnol, o “Menino Prodígio” — concede uma entrevista à Folha desta segunda.  Há três coisas a dizer sobre a intervenção da face mais irascível da Lava Jato: 1: ele continua a dizer coisas assombrosas, mas que parecem muito convincentes a quem não sabe do que ele está falando; 2: o homem resolveu posar de moderado e até admite erros na Lava Jato, mas não em Curitiba, é claro!: 3: a guerra com a Polícia Federal continua.

Vamos ver.
Para Carlos Fernando, o principal empecilho à Lava Jato está mesmo no Supremo. Afirma o bravo: “Por que a Lava Jato diminuiu o ritmo? Porque a todo momento, estamos sendo brecados ou pelo foro privilegiado ou pela transferência de casos para a Justiça Eleitoral. A Lava Jato no começo era uma Ferrari. Agora, somos um caminhão. (…). Se os ministros do Supremo insistirem em tirar as coisas do Paraná ou mandar para a Eleitoral, vai ficar difícil. A Justiça Eleitoral em segundo grau é muito menos jurídica e muito mais influenciada por fatores políticos. O Supremo hoje diz: esse caso não é seu. Mas, se alguém olhar a Constituição, o Supremo não tem essa competência. Quem decide conflito de competência entre Justiça Federal e Estadual é o STJ.”

Trata-se de uma soma deliberada de bobagens. Os casos só saem do Paraná quando não guardam relação com a investigação que lá teve início e que tem a Petrobras como epicentro. Por isso a Lava Jato está na raiz de novas operações. É o caso, por exemplo, de Sérgio Cabral. Quando os ministros do Supremo “tiram as coisas do Paraná” é porque ao Paraná elas não cabem, a menos que se afronte a lei. Da mesma sorte, um caso só vai para a Justiça Eleitoral quando os colegas de Carlos Fernando, os procuradores, não conseguem apontar a evidência de tipos penais. Vale dizer: o trabalho insatisfatório, então, é feito pelo MPF. E, notem, para Carlos Fernando, a Justiça Eleitoral em segundo grau não passa de palco de tramoias políticas.

Noto que Carlos Fernando, mesmo atacando o Judiciário, resolveu assumir um figurino um pouco mais moderado. Admite erros na Lava Jato e cita dois casos que são realmente escandalosos: as delações de Delcídio do Amaral e de Sérgio Machado. Embora Rodrigo Janot lhes tenha concedido benefícios assombrosos, suas respectivas acusações caíram no vazio. Nada do que disseram fez a investigação avançar. Não obstante, até agora ao menos, conservam os benefícios decorrentes das múltiplas acusações que fizeram. Lembrem-se de que, à esteira do acordo de Machado Janot chegou a pedir a prisão do ex-senador José Sarney e dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR). Teori Zavascki recusou. Carlos Fernando cutuca Janot também no caso da delação de Joesley Batista, que teria arranhado o instituto da delação premiada: “Nós, em Curitiba, não damos imunidade, por princípio.”

E, como era esperado, o procurador critica o fato de a PF poder celebrar acordos de delação premiada. A guerra, pois, entre os dois entes continua. Sem que se conheçam os termos da acusação de Antonio Palocci e as acusações que faz, Carlos Fernando ataca o acordo celebrado pelo ex-ministro com a PF: “Qual era a expectativa? De algo, como diz a mídia, do fim do mundo. Está mais para o acordo do fim da picada.” Ou ainda: “A porta da frente dos acordos sempre será o Ministério Público. A porta dos fundos é da PF. As pessoas irão à PF se não tiverem acordo conosco.”

Pouco perceberão o que há de assombroso nessa fala. Notem que Carlos Fernando dá a entender que conhece o roteiro de Palocci e que considera a sua delação falaciosa. Não é o que pensa a Polícia Federal. Dois entes do Estado brigam para ver quem fica na vanguarda do denuncismo. E isso é péssimo para o país e, como se vê, para o combate à corrupção.

Reinaldo Azevedo 
http://www3.redetv.uol.com.br/blog/reinaldo/carlos-fernando-batman-de-dallagnol-o-menino-prodigio-diz-besteira-sobre-stf-e-investigacao-mas-tenta-posar-de-moderado-e-critica-janot/

 

Neymar erra feio com a autocrítica de aluguel



Craque divulga vídeo em que justifica comportamento, mas é uma propaganda 

Neymar "falou" de novo. Se a princípio preferiu o silêncio após a Copa, quando muitos queriam respostas sobre sua atuação no Mundial e os danos causados à sua imagem, a má repercussão de tudo que fez parece ter criado internamente um jeito de se pronunciar em segurança. Primeiro, pequenas entrevistas em um evento organizado pelo seu staff. Na noite deste domingo, declarações mais fortes, um "textão" narrado onde dá explicações para tudo. Diz, por exemplo, que quando parece malcriado "não é porque eu sou um moleque mimado. Mas é porque eu ainda não aprendi a me frustrar". Tudo isso em uma propaganda de uma marca de barbeador que termina com a frase edificante: "um novo homem todo dia".

Em outro trecho, Neymar diz, com um tom de voz onde se esforça para passar sinceridade, que "demorou para aceitar as suas críticas. Eu demorei a me olhar no espelho e me transformar em um novo homem. Mas hoje eu tô aqui, de cara limpa, de peito aberto". Além de citar o slogan da campanha de marketing, afirma estar de cara limpa e peito aberto. Em uma propaganda. Difícil pensar um meio pior para Neymar querer mudar sua imagem do que em um comercial. O resultado final, provavelmente, vai ser só reiterar que tudo que vem dele é pasteurizado, fake, irreal. O "menino Ney", que nunca se pronuncia sem ajuda de terceiros, dá um passo para frente na sua transformação completa em produto e dois para trás na mudança de menino para homem.

Por certo Neymar recebeu muito dinheiro por este vídeo. Não é bem um problema, é justo. Porém, não é recebendo uma óbvia e evidente remuneração por uma propaganda a melhor maneira de se convencer o público que é difícil ser Neymar, e nem entender o que ele passa fora do campo. O que Neymar faz no vídeo é uma autocrítica de aluguel. Será que agora só ouviremos declarações substanciais do maior craque do futebol brasileiro se pagarem? Se existir uma campanha de marketing por trás? Ao que tudo indica, a realidade pretendida pela equipe do craque não é muito diferente.

A má repercussão nos primeiros minutos após a veiculação do vídeo dá o tom: Neymar, ou os que controlam sua vida, erraram de novo e deram mais um tiro no pé. Se fosse uma declaração em suas redes sociais, ou em uma entrevista à imprensa, com pelo menos uma impressão de maior naturalidade, por certo que tudo seria melhor recebido. Ainda que haja problemas claros na declaração: não é admissível um jogador sério, de alto nível, de 26 anos, reconhecer, na cara dura, que exagera nas simulações e que ainda é um menino. O que Neymar precisa fazer é desculpar se por isso, pela malcriação.

Em O Globo
https://oglobo.globo.com/esportes/opiniao-neymar-erra-feio-com-autocritica-de-aluguel-22931008
 
 

domingo, 29 de julho de 2018

Parte dos jovens ataca direitos humanos sem ter ideia do que isso seja

A proporção de jovens eleitores de 16 e 17 anos aumentou de 23,9% para 29,5% da última eleição para cá, segundo análise da Folha de S.Paulo sobre dados do IBGE e do Tribunal Superior Eleitoral. Isso representa um aumento de 250 mil pessoas entre os alistados para votar nessa faixa etária. O que, segundo a reportagem, é a primeira alta desde 2006.
Essa geração foi influenciada pelas Jornadas de Junho de 2013 e pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff. Mas sua trajetória vem sendo construída na vivência diária, na percepção de diferentes identidades, no entendimento dos processos de opressão e exclusão. 

É inegável, nesse sentido, o impacto da ação dos coletivos feministas, LGBTT, negros, indígenas em escolas e comunidades. Apesar de ainda estarem longe de garantirem a dignidade prevista na Constituição, já mudaram não apenas a forma como o conteúdo de debates da esfera pública. Fazendo com que nós, homens, héteros, que não fazemos parte de minorias étnicas oprimidas, tivéssemos que escutar e mudar. Ou seja, reside neles a esperança de um mundo menos viciado em preconceito que o nosso.

Mas a safra de novos eleitores inclui grupos que pensam de forma oposta. Discursos misóginos, homofóbicos, fundamentalistas e violentos têm atraído rapazes que, acreditando serem revolucionários e contestadores, na verdade agem de forma a manter as coisas como sempre foram. Crêem que estão sendo subversivos lutando contra a ''ditadura do politicamente correto'' – que, na prática, se tornou uma forma pejorativa de se referir aos direitos básicos que temos por termos nascido humanos. Tratei desse tema no ano passado mas, diante da análise publicada pela Folha, achei por bem resgatar a reflexão.

Essa ditadura, claro, é uma ficção. Se direitos fundamentais fossem respeitados não haveria fome, crianças trabalhando, idosos deixados para morrer à própria sorte, pessoas vivendo sem um teto. Não teríamos uma taxa pornográfica de mais de 60 mil homicídios por ano, nem exploração sexual de crianças e adolescentes, muito menos trabalho escravo. Aos migrantes pobres seria garantida a mesma dignidade conferida a migrantes ricos. Todas as crenças seriam respeitadas. A liberdade de expressão seria defendida, mas os incitadores de crimes contra a dignidade seriam responsabilizados. Se direitos humanos fossem efetivados, não teríamos mulheres sendo estupradas, negros ganhando menos do que brancos e pessoas morrendo por amar alguém do mesmo sexo. Marielle Franco não teria sido morta duas vezes – na primeira, seu corpo com alvo, em uma emboscada, e a segunda, sua reputação, na internet. O que temos, em verdade, é um status quo sendo contestado, o que provoca pânico em muita gente.  - UM ÚNICO COMENTÁRIO: 
excelente o estilo do Sakamoto e a abordagem do assunto.
Temos necessidade de registrar nossa concordância com a adjetivação TAXA PORNOGRÁFICA, porém, temos que indagar: o que difere a morte da vereadora e do seu motorista Anderson das outras mais de 60.000 mortes que não são investigadas?
- se 10% delas foi objeto de alguma investigação, tal inquérito  limitou-se a simples abertura de uma pasta  sem continuidade;

- já a morte de Marielle movimentou todo um arcabouço de ações de investigação, envolvendo dezenas, ou mesmo centenas, de policiais e outras providências; qual o motivo de tal diferenciação?
- por acaso a morte de uma política  eleva o status do crime e motiva maior concentração de esforços em prejuízo de milhares de outras investigações?
- a vida de um político vale mais do que a de um cidadão comum?
PIOR DE TUDO: resultado até agora ZERO.-


Parte dos jovens também abraça esses discursos como reação às tentativas de inclusão de grupos historicamente excluídos, como mulheres, negros, população LGBTT.
Há rapazes que veem na luta por direitos iguais por parte de suas colegas de classe ou de coletivos feministas uma perda de privilégios que hoje nós, os homens, temos. Nesse contexto, influenciadores digitais, formadores de opinião e guias religiosos ajudam a fomentar, com seus discursos violentos e irresponsáveis, uma resposta violenta dos rapazes à luta das jovens mulheres pelo direito básico a não sofrerem violência. Qual o contexto de tudo isso? Há um público jovem insatisfeito que vê seus pais reclamarem de que as coisas estão mudando para pior, desrespeitando as ''tradições''. 

Que ouve seus ídolos na internet reclamarem que antigamente é que era bom, quando podíamos contar piadas sobre outras pessoas sem sermos criticados. Que assiste a vídeos que bradam que a exigência por igualdade cria discórdia onde antes havia paz e gera divisões onde tudo funcionava bem. Funcionava bem para quem?  Há quem repita mantras de terceiros e não tente pensar por conta própria a partir de informações que absorveu somadas à sua vivência pessoal. Não pula o muro de casa e vai para o mundo entender o que está acontecendo, o que temos de bom, o que temos de ruim, o que mudar e para onde ir. Está feliz com o mundo que o algoritmo da rede social criou para ele, com o conforto de ver os amigos em consonância com o seu pensamento. Pois, a ignorância é realmente um lugar quentinho.

E ao terceirizar sua interpretação da realidade, torna-se massa de manobra. Ou seja, no desejo de mudarem o mundo para melhor, devolvem-no para onde ele estava antes, fazendo o jogo de quem sempre esteve no poder.  Enquanto isso, os principais partidos políticos não apenas não se esforçaram em garantir mais participação popular como perderam a confiança da população ao se apropriar do patrimônio público e utilizarem o poder que lhes foi emprestado a serviço próprio. Ao mesmo tempo, a política tradicional derrapou em dar respostas não apenas para o combate ao desemprego, à violência urbana e rural e à corrupção, como também a outros desafios da vida cotidiana. Jovens moradores morrem na periferia aos milhares. Pode-se continuar dando às costas a eles, chamando-os de comunistas ou fascistas. Ou abrir o diálogo – muitas vezes difícil, mas necessário.

Jovens de todos os lados do espectro ideológicos têm a consciência de que a internet e as redes sociais trouxeram a eles um poder de interferência nos rumos da sociedade que a geração de seus pais, quando jovens, não tiveram. Muitos reivindicam participar ativamente da política, pois só votar e esperar quatro anos não adianta mais para esse grupo. Querem mais formas de interferir diretamente nos rumos da ação política de sua cidade, estado ou país.

Precisamos, urgentemente, ouvir esses jovens e construir com eles um projeto coletivo para a sociedade em que vivemos. Falo dos jovens que atuam de boa fé, claro, não os que formam milícias digitais visando à destruição do outro.  Negar isso e buscar, novamente, saídas de cima para baixo, seja através da esquerda democrática ou da direita liberal, não dará certo. Pelo contrário, apenas os jogará na mão de grupos intolerantes. Não admira que quem sugere adotar as soluções de sempre são as mesmas pessoas que não entenderam o significado das manifestações de junho de 2013.  Por fim, como já disse aqui, vale uma reflexão também aos mais jovens que se engajam na política, partidária ou não. Dê uma olhada nos livros de História. E veja se o comportamento que você adota diante do seu semelhante e dos direitos dele é algo novo ou o mesmo que os donos do poder político, econômico e religioso faziam nas últimas centenas de anos. Se for, fica a dica: talvez seja a hora de você dar aquela refletida solitária se você é realmente dono da sua cabeça ou estão conduzindo ela por você.

Transcrito do Blog do Sakamoto - https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2018/07/28/parte-dos-jovens-ataca-direitos-humanos-sem-ter-ideia-do-que-isso-seja/
 
Parte dos jovens ataca direitos humanos sem ter ideia do que isso seja... - Veja mais em https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2018/07/28/parte-dos-jovens-ataca-direitos-humanos-sem-ter-ideia-do-que-isso-seja/?cmpid=copiaecola

Por onde entra a politicagem, a Justiça é expulsa

“Se há um idiota no poder, é porque os que o elegeram estão bem representados”.

Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly – o Barão de Itararé)

Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Em conversa não-grampeada pela estúpida arapongagem, um sapientíssimo militar (estudioso do Direito) me lembrou uma célebre frase do filósofo e político liberal-conservador francês François Guizot (1787-1874): “Pela porta que a política entra, a Justiça sai”. No caso brasileiro, com a política da judicialização de tudo, abusando da politicagem no Judiciário, é melhor aprimorar e reescrever a tese guizotiana: “Por onde entra a politicagem, a Justiça é expulsa, e o Judasciário impõe sua ditadura, em parceria com o Crime Institucionalizado”.

Por isso, não temos Justiça no País. Temos, sim, um Judiciário que não funciona Direito (perdão pelo trocadilho infame). A politização exagerada do nosso Judiciário criou um intrincado mecanismo de controle e autocontenção. Colocou-se um poder acima dos outros, desequilibrando a famosa balança republicana. O problema é de difícil solução prática porque a cúpula do Judiciário é indicada politicamente – independentemente do conteúdo jurídico de quem foi premiado com o supremo cargo vitalício.

Na mesma sexta-feira em que como meu acarajé com pimenta, um General deu praticamente o mesmo conselho do meu amigo fardado da conversa que o grampo não pegou. O General de Exército Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, Comandante Militar do Sudeste, mandou o recado de que “a Lei tem de ser cumprida independentemente de quem está sendo atingido por ela”. O General de quatro estrelas foi claro e objetivo: “Não podemos transigir com as leis vigentes, buscando atender a interesses pessoais ou até mesmo político-partidários. Todos nós, militares ou civis, estamos sob o jugo do império da Lei”.

Ficou a impressão de que a mensagem não foi uma carta ao famoso “Garcia”, mas sim um sábio conselho para alguns magistrados que pensam em soltar o Presodentro Lula, permitindo que ele dispute a eleição Presidencial, desobedecendo a Lei da Ficha Limpa. Aliás, a Petelândia insiste que Lula é pré-candidato ao Palácio do Planalto... O recado do General na Ativa também vale para os golpistas togados que desejam rever a decisão para prender quem teve condenação confirmada por órgão colegiado em segunda instância judicial. Enfim, a mensagem de improviso do militar, no dia 27 de julho, atinge, diretamente, o âmago do Judiciário.

O General Ramos só perdeu uma oportunidade para fazer outra reclamação que doeria na consciência de quem realmente preza pelo respeito à Lei e à ordem democrática. O militar poderia ter lembrado que o STF e o Tribunal Superior Eleitoral cometeram o “pecado” de ordenar o descumprimento da Lei que obrigava a impressão do voto pela urna eletrônica inconfiável. Como é que pode, General Ramos, o Judiciário recomendar que não se cumpra a regra aprovada pelo Legislativo com total apoio do Executivo?

Na mesma sexta-feira do eclipse lunar mais longo do século e do recado do General, a revista Crusoé (publicada pela turma do site O Antagonista) publicou a matéria “A mesada do Toffoli”. A historinha foi abordada neste Alerta Total pelo artigo “O Supremo Eclipse do Judiciário”. O caso superalimenta a campanha lançada pelo advogado Modesto Carvalhosa para que José Dias Toffoli não seja eleito, em setembro, Presidente do Supremo Tribunal Federal. Atualmente, Toffoli é vice e sucessor preferencial da Carmem Lúcia.

O Brasil é o País da Jabuticaba. Tem coisas que só existem aqui. Toffoli é um candidato a Plinia Cauliflora... Além de não ser um jurista de renome e nem magistrado de carreira, Toffoli tem a mácula moral, ética e histórica de ter sido advogado próximo da corrupta cúpula do Partido dos Trabalhadores. Como não dá para apagar tal fato de seu currículo, nosso mais jovem supremo magistrado termina sendo alvo preferencial de ataques de todos os lados.

Acontece que tem um lado de Toffoli pouco conhecido do povão e que o torna candidato a ser um dos mais poderosos e influentes ministros da História do STF. Toffoli é considerado um grande articulador de bastidores, sobretudo porque cumpre a palavra do que promete em seus acordos pessoais ou institucionais. Toffoli já prometeu, em um recente encontro jurídico lá na amada Rússia, que promoverá uma revolução de tecnologia durante sua suprema gestão presidencial. Toffoli conta com o apoio fortíssimo dos servidores do Conselho Nacional de Justiça para cumprir o objetivo.

Toffoli terá capacidade de gestão para melhorar o desempenho do Judiciário? É mais prudente não duvidar dele... Além disso, ele terá papel chave na próxima gestão presidencial. Ele comandará o STF durante quase dois anos da administração do novo titular do Palácio do Planalto – seja ele quem for... A tendência é que o próximo Presidente da República vai segurar o maior pepino da História. Terminar o mandato não será fácil... Crise econômica persistente, combinada com explosões de violência e radicalismo político, costuma degenerar em barbárie...      

“Guizotear” é preciso! Temos de pensar uma Política de Alto Nível para escancarar a Caixa Preta do Judiciário. O Poder Togado precisa de um choque não só de Transparência, mas, sobretudo, de Democracia (definida como a plena e tríplice segurança Jurídica, institucional e individual). O remédio também vale para o Ministério Público – outro “poder” influenciável politicamente.

A sociedade organizada reage. O Movimento Avança Brasil organiza, para o dia 5 de agosto, uma manifestação nacional polêmica, porém fundamental para que comecem as mudanças estruturais que o Brasil não pode mais adiar: a substituição completa do Supremo Tribunal Federal. A pressão popular é para que todos os ministros do STF “peçam para sair” ou alguns acabem alvos de processo de impedimento pelo Senado.
Só assim, via legítima pressão popular, o Sistema Judiciário deixará de ser um Judasciário que, ao mesmo tempo, permite impunidade ou legitima jagunçagens. O Judiciário que o Brasil precisa tem de chegar próximo de ser um realizador da Justiça, até atingir o patamar de poder moderador dos conflitos da sociedade.

Tal sonho só será possível se o Brasil evoluir politicamente, romper com a “Bandidolatria” e sofrer um processo de Revolução Institucional – uma intervenção legítima, liderada por uma maioria de cidadãos esclarecidos e honestos, que nada tem a ver com “golpe militar”, coisa tão temida pelos corruptos e pela esquerda idiotizada. Tal revolução está em andamento...

Basta de Politicagem! Judasciário nunca mais! Honestidade, Transparência e Competência, já! A Política e a Justiça têm de caminhar juntas, bem longe do Crime...