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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Voto útil ou envergonhado



Pesquisas não confirmam crença de que Lula transferirá pelo menos metade dos seus votos para substituto

Bolsonaro, pré-candidato do PSL à Presidência da República, diz que sente em suas viagens que tem mais votos do que Lula. Em qualquer lugar que vá, é recebido por uma multidão de ensandecidos, que o carregam nos ombros e gritam o mantra “mito, mito” como se estivessem hipnotizados.  Ao contrário de tempos atrás, quando militantes petistas recebiam Lula onde quer que fosse aos magotes, os bolsominions, como são conhecidos pejorativamente os seguidores de Bolsonaro, aparentemente se reúnem de maneira espontânea, não têm a estrutura que os sindicatos forneciam ao PT.

Há ainda os possíveis “eleitores envergonhados”, que preferem Bolsonaro, mas não revelam o voto com receio da reação. Não é impossível, portanto, que o pré-candidato do PSL tenha mais eleitores do que captam as pesquisas. Contra Bolsonaro, porém, há o voto útil, que em uma eleição como esta, tão fora de parâmetros, pode ser fundamental já no primeiro turno.  Diante da possibilidade real de Bolsonaro estar no segundo turno, muito eleitor tucano pode votar em Marina, assim como parte dos eleitores petistas que não anularem o voto, cristianizando tanto Geraldo Alckmin quanto o poste de Lula.

Já Ciro Gomes poderá ter o apoio dos partidos de esquerda que não conseguem se unir no primeiro turno. Pode ser que a perspectiva de a esquerda tradicional não ir para o segundo turno faça com que eleitores dessa tendência invistam em Ciro para evitar que o segundo turno seja disputado pela extrema-direita contra a centro-direita, que pode ser representada tanto por Marina quanto por Alckmin. O candidato tucano, se não deslanchar com o apoio do centrão, poderá ser abandonado pelos eleitores ainda no primeiro turno. A aposta de Alckmin é que o tempo de televisão e a máquina partidária do centrão o levarão para o segundo turno, com um raciocínio analógico da política, quando o digital domina a campanha. Pode ser surpreendido pela indignação do eleitorado. Em contrapartida, o voto útil pode ajudar Alckmin caso esteja disputando o segundo lugar contra Ciro ou Marina.

Como as coligações obedecem a critérios locais, com o MDB sendo aliado do PT em diversos estados, e a Rede se coligando com forças políticas que trabalham em outra sintonia, não é possível saber se o enraizamento de partidos como o MDB, o DEM e o PP sustentará candidaturas oficialmente escolhidas, ou se essa algaravia partidária facilitará a traição nacional em troca de vitórias regionais.

O fato de que importa mais aos partidos fazerem bancadas fortes do que eleger o presidente da República reforça essa possibilidade. A crença de que Lula transferirá pelo menos metade dos seus votos para um substituto petista, seja ele quem for, não está sendo confirmada nas pesquisas eleitorais. Se isso for verdade, há uma boa chance de eleitores petistas votarem em Marina. Ela é quem mais ganha nessa situação, seguida de Ciro Gomes, do PDT.

A mais recente pesquisa do Instituto Paraná tentou entender a cabeça do eleitor. Quando pergunta em quem o eleitor poderia votar, Marina Silva lidera, mas todos os candidatos, até mesmo Henrique Meirelles ou Fernando Haddad, têm boa pontuação. Já quando a pesquisa tentou saber em quem os eleitores votariam com certeza para presidente da República, Bolsonaro lidera com vantagem sobre Marina Silva, a segunda colocada. Bolsonaro teve 15,7% de votos consolidados e Marina, 6,3%. Lula aparece em primeiro lugar com 21,3%, mas está inelegível.

O Instituto Paraná perguntou aos eleitores em quem não votariam de jeito nenhum, e a má notícia para o PT é que Fernando Haddad tem a maior rejeição, seguido do tucano Geraldo Alckmin, o que indicaria que, sem a liderança carismática de Lula, PT e PSDB estão em baixa com o eleitorado que busca o novo na política.  Jair Bolsonaro e Lula têm a mesma rejeição de 54% do eleitorado. Em todas as pesquisas, a soma dos votos brancos, nulos e a abstenção supera Bolsonaro. Os eleitores indecisos, na sua maioria, têm Marina como alternativa. Todas essas informações demonstram que o voto útil ou o voto envergonhado pode ter influência decisiva na eleição de outubro, como também a indignação dos eleitores detectada pelas pesquisas.

Merval Pereira - O Globo
https://oglobo.globo.com/opiniao/voto-util-ou-envergonhado-22940727

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Polêmica é a arma de Bolsonaro - Bernardo, qual a razão de tanta aversão ao Bolsonaro?

Comentando a pergunta título: de algum tempo leio teus comentários e reputo excelentes;

mas, tenho notado que quando comenta algo sobre o Bolsonaro (futuro presidente da República) você não consegue apresentar a imparcialidade  que se espera dos operadores da grande imprensa.

Sobra a não confiabilidade da urna eletrônica, faço um comentário de leiga em assuntos de informática e principiando como blogueira: - se a urna eletrônica fosse confiável teria aceitação entre as grandes e democráticas nações e isto não ocorre. Sabemos que em vários testes imparciais, sem o patrocínio do governo brasileiro, as urnas eletrônicas não foram confiáveis e apresentaram várias porteiras para manipulação. Você com certeza conhece links para dezenas de fontes que apresentam e comentam os resultados dos testes.

Os defensores incondicionais das urnas, especialmente sem o recurso de imprimir os votos, se conta nos dedos das mãos do Lula, incluindo Brasil, Venezuela, Bolívia e outras republiquetas.

Neste de agora, você chegou ao ponto de apresentar sugestão aos adversários do capitão para desconstruí-lo ver último parágrafo,  especialmente a última frase.

Desculpa,  mas precisei desabafar - mesmo usando teu texto como amparo. 

A arma do capitão
As escolas induzem as criancinhas ao homossexualismo. Os portugueses não pisavam na África no tempo da escravidão. A urna eletrônica é mais suscetível a fraudes do que o voto impresso. Não houve golpe militar no Brasil em 1964.

O deputado Jair Bolsonaro despejou seu repertório de mistificações no “Roda Viva” de segunda-feira. Muito do que ele disse não resiste a uma checagem básica, mas seu eleitorado parece não se importar. O programa registrou, de longe, a maior audiência da série com os presidenciáveis.

Bolsonaro não tenta desviar do estereótipo do milico brucutu. Ao contrário: seu discurso é claramente treinado para reforçá-lo. A principal arma do capitão é a polêmica. Quanto mais barulho, melhor. Foi assim que ele chegou à liderança das pesquisas nos cenários sem o ex-presidente Lula.

O candidato captou o espírito das redes sociais. Declarações bombásticas geram mais curtidas que argumentos. Radicalizar nos temas morais é mais atraente que formular programas de governo. Quando o eleitor está furioso, quem fala mais alto tende a vencer a disputa por atenção. Foi a receita da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos.

A chave do sucesso é se descolar dos outros políticos. O deputado está no sétimo mandato consecutivo em Brasília, mas tem conseguido emplacar a imagem de que é diferente de tudo o que está aí. Não foi à toa que ele chegou a se dizer “meio maluco” durante a entrevista.

No centro da roda, Bolsonaro jogou em casa ao discursar contra defensores de direitos humanos, sem-terra, quilombolas e outras minorias. Ficou menos à vontade ao ser cobrado a apresentar propostas concretas para temas como saúde e economia.  Num de seus piores momentos, embananou-se quando a jornalista Maria Cristina Fernandes quis saber o que ele faria para reduzir a mortalidade infantil. A resposta mostrou que o preparo do capitão está muito aquém da sua capacidade de gerar memes. Os rivais devem pensar nisso se quiserem desconstruí-lo.

Bernardo Mello Franco
https://blogs.oglobo.globo.com/bernardo-mello-franco/post/polemica-e-arma-de-bolsonaro.html
 
 

Em 72 horas, mil pessoas baixam manual de fuzis em 3D nos EUA

Artefato preocupa autoridades por não ser rastreável nem possuir número de série

Em apenas três dias, mais de mil pessoas já fizeram download de um manual que explica como imprimir fuzil em 3D nos Estados Unidos. O Defense Distributed, grupo pró-armamento que controla o site, oferece instrução sobre AR-15 e outras armas. A empresa definiu o movimento como "a era das armas baixáveis". Esse tipo de artefato não é rastreável e não possui números de série. No fim da noite desta terça, um juiz bloqueou a distribuição dos manuais. 
 Embora um tribunal tenha determinado que o acesso ao material só fosse permitido a partir desta quarta-feira, dia 1º de agosto, o download estava disponível desde sexta-feira. Nove estados americanos ingressaram com uma ação judicial contra a empresa, que concordou em bloquear todos os endereços de IP da Pensilvânia, por exemplo.— No domingo, mil pessoas já tinham baixado o manual para fuzil AR-15 semiautomático — disse, ao jornal "The Sun", o procurador-geral da Pensilvânia, Josh Shapiro.

Nova York, Distrito de Colúmbia, Massachussets, Connecticut, Nova Jersey, Oregon, Maryland e Washington são os outros estados que assinaram a ação judicial. — Essas armas baixáveis não têm registro e, dificilmente, são detectadas, mesmo com detector de metais. E estarão disponíveis para qualquer um, independentemente de idade, saúde mental ou histórico criminal — afirmou, ao diário britânico, o procurador-geral de Washington, Bob Ferguson.

Josh Blackman, o advogado que representa a "Defense Distribuited", admitiu que mais de mil pessoas acessaram o manual, mas negou que isso tenha acontecido entre sexta-feira e domingo.

TRUMP DIZ QUE INVESTIGA O CASO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se cético, nesta terça-feira, quanto à liberação da venda de planos digitais que permitem a fabricação de armas com impressoras 3D.  "Estou investigando esse caso de armas de plástico 3D vendidas ao grande público. Isso não parece ter muito sentido", tuitou Trump, que já conversou sobre o tema com a Associação Nacional do Rifle, a principal organização pró-armas de fogo dos Estados Unidos.


Os avanços alcançados no setor de impressão 3D permitem fabricar armas funcionais a partir de um plano digital, de forma anônima e sem deixar rastro, a principal diferença das armas produzidas por fabricantes autorizados.  Esse progresso tecnológico preocupa os defensores de um maior controle de armas nos Estados Unidos, onde a legislação já é muito permissiva nessa questão.

O governo federal autorizou, em junho, o grupo "Defense Distributed", o pioneiro nesta tecnologia, a difundir seus planos digitais a partir de 1º de agosto. Na segunda-feira, os procuradores de oito estados anunciaram que vão pedir a um juiz federal que bloqueie o programa de impressão 3D de armas de plástico.

O Globo
https://oglobo.globo.com/mundo/juiz-dos-eua-bloqueia-distribuicao-de-manuais-para-imprimir-armas-em-3d-22937901

Grupo inicia greve de fome por liberdade de Lula e é retirado do STF

Seguranças formaram um cordão e forçaram a saída dos grevistas com empurrões.  

PT diz que eles protocolaram no Supremo manifesto sobre a greve

Um grupo de seis pessoas começou na tarde desta terça-feira, 31, uma greve de fome pela libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado em um processo da Operação Lava Jato e preso. O ato que marcou o início da greve durou 50 minutos e teve início às 16h, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde, segundo o PT, os militantes protocolaram um manifesto anunciando a medida.

Formando um cordão, a equipe de seguranças da Corte forçou a saída dos grevistas da entrada do tribunal com empurrões. Três deles caíram da escada que dá acesso ao Salão Branco do Supremo, área externa do prédio usada para a passagem dos ministros quando chegam às sessões plenárias. Por meio de uma nota em seu site, o PT diz que os manifestantes foram “empurrados e pisoteados”. A assessoria de imprensa do STF não respondeu sobre a retirada dos militantes.

Aderiram à greve de fome integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Central dos Movimentos Populares (CMP). De acordo com os coordenadores dos movimentos, os protestos vão ocorrer em Brasília, na frente da sede da Corte, e abrem uma série de atos que reivindicam a candidatura do petista, preso em Curitiba desde 7 de abril.
“A ideia é só sair no dia em que Lula for solto, porque Lula representa para nós a possibilidade de restabelecer a ordem democrática, a soberania nacional e a dignidade para o povo brasileiro”, afirmou Jaime Amorim, integrante do MST de Pernambuco. De acordo com Frei Sérgio Antônio Görgen, um dos grevistas, quem decidirá o fim da manifestação são os ministros do Supremo. “Nós vamos voltar todos os dias. Temos um local onde vamos permanecer, mas ainda estamos definindo qual será”, disse.

“Qualquer coisa que acontecer com qualquer um de nós tem responsáveis com nome e sobrenome: ministra Cármen Lúcia, ministro Edson Fachin, ministro Luiz Fux, ministro Luís Roberto Barroso, ministra Rosa Weber e ministro Alexandre de Moraes”, afirmou Görgen. Os seis ministros citados por ele votaram pela rejeição do pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Lula, em 5 de abril, o que abriu caminho para a prisão do petista.
Depois de retirar os manifestantes, a equipe de seguranças do Supremo isolou a área de acesso ao prédio principal da Corte. A Polícia Militar auxiliou no isolamento. Do lado de fora, cerca de 40 pessoas carregando cartazes pró-Lula protestavam, aos gritos de “Judiciário golpista”, “canalhas”, e “injusta condenação (de Lula)”.

Os grevistas almoçaram com um grupo de apoio em um espaço mantido pelos movimentos em Brasília. De acordo com Luiz Gonzaga, o Gegê, líder da CMP, esta foi a última refeição deles até que o STF determine a libertação do ex-presidente. Foram servidos costela com mandioca, arroz, feijão e melancia de sobremesa.  A greve de fome começa um dia antes da volta aos trabalhos dos ministros do Supremo – a Corte estava em recesso. Esta é a terceira semana consecutiva em que há manifestações em frente ao STF. Na última terça-feira, 24, cerca de 20 manifestantes favoráveis a Lula jogaram tinta vermelha no Salão Branco. Uma semana antes, outros militantes criticaram decisões recentes do colegiado, o salário dos magistrados e a prisão do ex-presidente Lula.

Veja
https://veja.abril.com.br/politica/grupo-inicia-greve-de-fome-por-liberdade-de-lula-e-e-retirado-do-stf/ 
 

Triste reconhecer, mas são mais eficientes do que recomendar: "se for roubado, chame a polícia"

Faixas com ameaça 'Proibido roubar. Se roubar vai morrer' são espalhadas na Praça Seca

Quem passava pela Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, foi surpreendido por mensagens, no mínimo inusitadas, espalhadas pelo bairro. Em algumas vias foram estendidas faixas com a seguinte ameaça: "Proibido Roubar. Se Roubar vai morrer. Não é para 1, nem para 2. É para Geral." A imagem que ilustra a reportagem, por exemplo, foi um registro feito na Rua Barão. 

 Faixas são estendidas na Rua Barão, na Praça Seca - Reprodução/Redes Sociais

Moradores da região relataram que as faixas teriam sido colocadas por criminosos que atuam no bairro. A Polícia Civil, no entanto, não confirma a informação. O órgão informou que existem inquéritos e processos em curso que "apuram o conflito entre criminosos da milícia e integrantes do tráfico que atuam nas comunidades da região".
 
Em resposta, a Polícia Civil disse que este episódio das faixas também é apurado. Os agentes investigam ainda quem são os responsáveis por estender as faixas e o motivo pelo qual fizeram isso — a informação de que bandidos estejam por trás disso não foi descartada. As investigações estão sob os cuidados da delegacia de Campinho, a 28ª DP.

No fim desta tarde, policiais militares foram acionados para a Praça Seca. Imagens em redes mostram PMs retirando as faixas do bairro. A informação foi confirmada pela assessoria da corporação: "policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) foram até os locais e removeram as faixas."
Pelas redes sociais, moradores comentaram episódios de violência na região: "Meu vizinho foi assaltado na (Rua) Marangá com a Florianopólis, tomou tapa na cara foi esculachado na porta da vila. Domingo ele e sua esposa se mudaram."


O Globo